Acreditação ONA: níveis 1, 2 e 3 explicados

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Victor Assis

Se você atua com qualidade na saúde, entender os níveis da acreditação ONA é uma questão estratégica.

A acreditação da ONA (Organização Nacional de Acreditação) é hoje um dos principais referenciais de qualidade e segurança no setor, e seus níveis indicam o grau de maturidade da gestão das organizações de saúde.

Os níveis da acreditação ONA são 3: nível 1 (Acreditado), nível 2 (Acreditado Pleno) e nível 3 (Acreditado com Excelência).

Mas, na prática, ainda existe muita confusão:

  • Qual é a diferença entre os níveis 1, 2 e 3?
  • O que realmente muda de um nível para outro?
  • E o mais importante: o que é necessário para evoluir entre eles?

Neste guia, você vai entender de forma clara e objetiva como funcionam os níveis da acreditação ONA, quais são suas diferenças e o que eles representam na prática para a gestão da qualidade.

O que é a acreditação ONA?

A acreditação ONA é um método de avaliação e certificação que tem como objetivo promover qualidade e segurança na assistência em serviços de saúde.

Por meio de padrões e requisitos definidos, as organizações precisam comprovar que seus processos atendem critérios reconhecidos nacional e internacionalmente.

Um ponto importante: a acreditação ONA é voluntária, não fiscalizatória e não prescritiva. Ou seja, a organização define como atender aos requisitos, desde que comprove resultados consistentes.

Ela pode ser aplicada em diversos tipos de serviços de saúde, como hospitais, clínicas, laboratórios, serviços de diagnóstico por imagem, entre outros.

Quais são os níveis da acreditação ONA?

A acreditação ONA possui três níveis que indicam o grau de maturidade da gestão e da qualidade nos serviços de saúde:

  • Nível 1 – Acreditado: foco em segurança do paciente e conformidade dos processos
  • Nível 2 – Acreditado Pleno: integração entre processos e gestão estruturada
  • Nível 3 – Acreditado com Excelência: cultura organizacional madura e melhoria contínua

Cada nível exige o atendimento a requisitos específicos e é evolutivo, ou seja, a organização precisa avançar progressivamente.

Comparativo dos níveis da acreditação ONA

NívelNomeFoco principalPercentual exigidoValidade
Nível 1AcreditadoSegurança e qualidade≥ 70%2 anos
Nível 2Acreditado PlenoGestão integrada≥ 80% (qualidade) + ≥ 70% (gestão)2 anos
Nível 3Acreditado com ExcelênciaCultura de excelência≥ 90% (qualidade) + ≥ 80% (gestão) + ≥ 70% (excelência)3 anos

Nível 1 – Acreditado

Entre os níveis ONA, o nível 1 representa o ponto de partida da acreditação ONA e está diretamente relacionado à segurança do paciente e à confiabilidade dos processos assistenciais.

Para alcançar esse nível, a organização precisa cumprir pelo menos 70% dos padrões definidos, garantindo que seus processos estejam minimamente estruturados, controlados e orientados à redução de riscos.

Na prática, isso significa:

  • Processos assistenciais padronizados
  • Protocolos de segurança implementados
  • Controle básico de riscos e não conformidades
  • Estrutura organizacional minimamente definida

O grande desafio desse nível não é documentar processos, mas garantir que eles realmente aconteçam na rotina. Aqui, o foco não é sofisticação, é consistência operacional.

Um erro comum em muitas organizações tratam o nível 1 como um projeto documental, quando na verdade ele exige disciplina operacional e aderência no dia a dia.

Nível 2 – Acreditado Pleno

No nível 2, a organização evolui de processos estruturados para uma gestão integrada e orientada por fluxo.

Além de atender aos requisitos do nível 1, é necessário demonstrar que os processos estão conectados, com interação efetiva entre áreas e gestão baseada em informações.

Isso exige um avanço importante: sair de uma lógica departamental para uma visão sistêmica da organização.

Na prática, organizações nesse nível apresentam:

Aqui, o salto não é técnico, é gerencial. Ou seja, tentar alcançar o nível 2 sem resolver problemas básicos do nível 1 pode gerar uma “integração superficial” que não se sustenta. É melhor construir uma maturidade consistente no primeiro nível do que tentar saltar para o próximo sem estar preparado.

Nível 3 – Acreditado com Excelência

O nível 3 representa o estágio mais avançado da acreditação ONA e está relacionado à maturidade organizacional e à cultura de melhoria contínua.

Nesse nível, a organização não apenas cumpre requisitos, ela demonstra capacidade consistente de evoluir seus processos com base em dados, aprendizado e integração estratégica.

Para isso, é necessário atender aos padrões de qualidade, gestão integrada e excelência, evidenciando um sistema de gestão sólido e sustentável.

Na prática, organizações acreditadas com excelência apresentam:

O diferencial aqui está na cultura e na maturidade da gestão. Isso significa que é fundamental desenvolver a base cultural necessária para sustentar o nível 3. Afinal, buscar o nível 3 como objetivo de certificação é um erro comum, mas grave.

Na prática, essa evolução entre os níveis está longe de ser trivial. Muitos serviços de saúde enfrentam dificuldades justamente na transição entre estruturação, integração e maturidade da gestão.

Esse tema foi aprofundado em um episódio do Qualicast sobre os principais desafios na adequação com a ONA, trazendo situações reais e pontos críticos que normalmente não aparecem nos modelos teóricos.

Diferença entre os níveis da ONA

A principal diferença entre os níveis 1, 2 e 3 da acreditação ONA está no grau de maturidade da gestão:

  • Nível 1: processos seguros e controlados
  • Nível 2: processos integrados e gerenciados
  • Nível 3: organização orientada à excelência e melhoria contínua

Em resumo: você evolui de controle → integração → excelência.

Como evoluir entre os níveis da acreditação ONA

Essa é a parte que normalmente não fica clara e onde muitas organizações travam. Para evoluir nos níveis ONA, não basta atender requisitos. É necessário desenvolver capacidade de gestão.

Alguns pilares fundamentais:

Padronização de processos

A padronização de processos é a base para evoluir nos níveis da acreditação ONA.

Sem processos definidos e bem compreendidos pelas equipes, não existe consistência operacional. E sem consistência, não há como garantir qualidade e segurança. Mais do que documentar, o desafio é garantir que os processos sejam realmente executados na rotina.

Gestão por indicadores

A evolução na acreditação ONA exige decisões baseadas em dados. A gestão por indicadores permite monitorar o desempenho dos processos, identificar desvios e agir de forma estruturada sobre problemas reais, evitando uma gestão baseada apenas em percepção.

Mais do que medir, é necessário usar os indicadores para direcionar melhorias e acompanhar resultados ao longo do tempo. Sem esse uso prático, os dados viram apenas relatórios, e a organização tende a estagnar nos níveis iniciais de maturidade.

Integração entre áreas

A falta de integração entre áreas é um dos principais obstáculos para evoluir nos níveis da acreditação ONA.

Quando os setores funcionam de forma isolada, os processos perdem fluidez, a comunicação falha e os riscos aumentam, especialmente em ambientes complexos como os serviços de saúde.

Para avançar, é necessário conectar processos, alinhar responsabilidades e garantir um fluxo eficiente de informações entre as áreas. Sem essa visão sistêmica, até existem melhorias pontuais, mas a organização não evolui de forma consistente.

Cultura de melhoria contínua

A evolução para os níveis mais altos da acreditação ONA depende de uma cultura organizacional orientada à melhoria contínua. É necessário desenvolver a capacidade de revisar, ajustar e aprimorar processos de forma constante. Muito além de cumprir requisitos.

Isso exige envolvimento das lideranças, uso consistente de dados e abertura para mudanças. Sem essa cultura, qualquer avanço tende a ser pontual e difícil de sustentar ao longo do tempo.

Vale a pena buscar a acreditação ONA?

Sim, mas não pelo certificado em si.

O principal valor da acreditação ONA está na transformação da gestão. Organizações que levam o processo a sério conseguem estruturar melhor seus processos, reduzir riscos assistenciais, aumentar a eficiência operacional e tomar decisões com mais previsibilidade.

Como consequência, ganham credibilidade no mercado e fortalecem a confiança de pacientes, parceiros e stakeholders.

Por outro lado, quando a acreditação é tratada apenas como um objetivo de certificação, os resultados tendem a ser superficiais e difíceis de sustentar. O que realmente faz diferença não é o selo, mas a capacidade da organização de evoluir seus processos e sua cultura ao longo do tempo.

FAQ sobre acreditação ONA

A acreditação ONA é obrigatória?

Não. Ela é voluntária.

Quanto tempo leva para conseguir acreditação ONA?

Depende da maturidade da organização, mas geralmente leva meses a anos.

Qual o nível mais comum?

A maioria das organizações inicia pelo nível 1.

Qual a diferença entre ONA e ISO?

A ONA é específica para saúde, enquanto a ISO é mais genérica e aplicável a diversos setores.

Acreditação ONA como caminho de maturidade

A acreditação ONA deve ser entendida como um processo de evolução da gestão, e não apenas como uma certificação a ser conquistada.

Seus níveis estruturam uma jornada clara: sair de processos básicos e seguros, avançar para uma gestão integrada e, por fim, alcançar um estágio de excelência sustentado por cultura e melhoria contínua.

Ao longo desse caminho, o maior ganho não está no reconhecimento formal, mas na capacidade da organização de operar com mais consistência, reduzir riscos e tomar decisões com base em dados. Esse é o tipo de maturidade que realmente impacta a qualidade assistencial e a sustentabilidade do negócio no longo prazo.

Para profissionais da qualidade, entender essa lógica é fundamental. Mais do que implementar requisitos, o desafio está em desenvolver sistemas que funcionem na prática e sustentem a evolução ao longo do tempo, independentemente de auditorias ou certificações.

Afinal, organizações que utilizam a acreditação como ferramenta de gestão não apenas alcançam níveis mais altos, mas constroem estruturas mais preparadas para lidar com complexidade, crescer com consistência e entregar mais valor ao paciente.

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