Se você atua na área da Qualidade em uma instituição de saúde, é bem provável que a acreditação em saúde já faça parte da sua rotina.
Ela aparece em reuniões estratégicas, planos de melhoria, auditorias internas e, principalmente, nos momentos de maior pressão, como visitas externas e avaliações.
Apesar disso, ainda existe muita confusão em torno do tema. O conceito é conhecido, mas nem sempre compreendido em profundidade.
Em muitos casos, a acreditação acaba sendo tratada apenas como um projeto para “passar na avaliação”, perdendo boa parte do seu potencial transformador. Este artigo foi criado para ajudar profissionais da Qualidade a entenderem a acreditação em saúde de forma clara, prática e aplicável.
Vamos explicar o conceito, sua importância, como o processo funciona, a diferença entre acreditação e certificação e como levar tudo isso para o dia a dia da instituição.
O que é acreditação em saúde?
A acreditação é um processo voluntário de avaliação externa, no qual uma instituição de saúde é analisada com base em padrões previamente definidos por uma entidade acreditadora.
Esses padrões têm como foco principal a segurança do paciente, a qualidade assistencial, a gestão de processos e a melhoria contínua.
Na prática, a instituição se submete a uma avaliação realizada por profissionais externos e independentes. Eles verificam se os processos existem, se são aplicados, se são monitorados e se geram aprendizado organizacional.
Quando os requisitos são atendidos, a organização recebe um selo ou nível de acreditação válido por um período determinado.
Mais do que um reconhecimento formal, a acreditação em saúde funciona como uma ferramenta de gestão. Ela ajuda a organizar processos, reduzir riscos, fortalecer a cultura de segurança e apoiar decisões baseadas em dados e indicadores.
O que a acreditação em saúde não é
Vale esclarecer alguns equívocos bastante comuns. A acreditação não é um requisito legal, não substitui licenças ou alvarás e não deve ser encarada apenas como uma ação de marketing.
Também não se resume a uma auditoria pontual nem é responsabilidade exclusiva da área da Qualidade.
Quando a acreditação é tratada apenas como um evento ou um objetivo de curto prazo, ela perde sua principal função: sustentar a melhoria contínua.
Por que a acreditação em saúde é tão importante?
A relevância da acreditação em saúde vai muito além da obtenção de um selo. Ela impacta diretamente a forma como a instituição funciona, como as equipes se organizam e, principalmente, como o cuidado é entregue ao paciente.
Do ponto de vista da Qualidade, a acreditação ajuda a tornar conceitos abstratos (como segurança e padronização) em requisitos claros, observáveis e mensuráveis. Isso facilita o alinhamento entre áreas e dá mais objetividade à gestão.
Na prática, instituições que utilizam bem a acreditação costumam perceber ganhos concretos, como:
- Processos mais previsíveis e menos dependentes de pessoas específicas
- Menos retrabalho e correções emergenciais
- Uso mais consistente de indicadores para tomada de decisão
Esses efeitos não surgem de forma imediata, mas se constroem ao longo do tempo, à medida que os requisitos passam a orientar a rotina da instituição.
A acreditação como diferencial competitivo
Embora não deva ser o principal motivador, a acreditação em saúde também funciona como um diferencial competitivo.
Ela transmite ao mercado, aos pacientes e aos parceiros a mensagem de que a instituição se preocupa genuinamente com qualidade e segurança e está disposta a ser avaliada por isso.
Como funciona um processo de acreditação em saúde?
Embora haja diferentes metodologias de acreditação em saúde, como ONA, Joint Commission ou Qmentum, a lógica do processo é bastante semelhante entre elas.
Tudo começa com uma decisão estratégica da alta direção. Sem esse apoio, a acreditação tende a se tornar um peso concentrado na área da Qualidade. A partir dessa decisão, a instituição normalmente realiza um diagnóstico para entender o quanto já atende aos requisitos e onde estão as principais lacunas.
Na sequência, inicia-se um período de adequação dos processos. Essa etapa envolve:
- revisão de fluxos,
- padronização,
- definição de indicadores,
- fortalecimento da gestão de riscos
- capacitação das equipes
Em geral, é a fase mais longa e mais sensível do processo.
Confira mais sobre adequação à ONA no Qualicast #127. Aperta o play e vem com a gente!
Depois disso, ocorre a avaliação externa. Os avaliadores analisam documentos, indicadores e práticas in loco, buscando evidências de que os processos estão implementados, monitorados e geram melhoria.
Por fim, a instituição recebe o resultado e, se aprovada, o nível de acreditação correspondente.
É importante destacar que a acreditação não termina com a avaliação. A manutenção do sistema e a evolução contínua são essenciais para evitar o chamado “efeito sanfona”, quando tudo funciona bem perto da visita e se perde logo depois.
Acreditação em saúde x certificação: qual é a diferença?
A confusão entre acreditação e certificação é muito comum, inclusive entre profissionais experientes da Qualidade. Embora os dois conceitos estejam relacionados à avaliação de sistemas e processos, eles têm propósitos diferentes.
A acreditação em saúde é desenvolvida especificamente para o setor da saúde e avalia a instituição como um todo, com foco forte na assistência e na segurança do paciente.
Já a certificação costuma estar associada a normas, como a ISO 9001, e pode ser aplicada a diferentes setores, avaliando sistemas de gestão ou processos específicos.
Na prática, uma coisa não exclui a outra. Muitas instituições utilizam certificações como base para estruturar seus sistemas de gestão e a acreditação para aprofundar práticas assistenciais, clínicas e de segurança.
A aplicação da acreditação em saúde no dia a dia
Um dos maiores desafios é fazer com que a acreditação em saúde deixe de ser um projeto paralelo e passe a orientar decisões reais da organização. Isso acontece quando os requisitos deixam de ser vistos apenas como “exigências do manual” e passam a fazer parte da rotina.
No dia a dia, a acreditação se materializa em práticas relativamente simples, mas consistentes, como:
- Análise estruturada de eventos adversos e quase falhas
- Reuniões de gestão baseadas em dados, não apenas em percepções
- Protocolos assistenciais que realmente são utilizados na prática
A acreditação passa a fazer mais sentido, por exemplo, quando profissionais começam a se perguntar se um processo é seguro ou se um risco está controlado.
Como se preparar para uma acreditação em saúde
Preparar uma instituição para a acreditação em saúde exige método, constância e realismo. Não existe atalho sustentável, mas existem formas mais inteligentes de conduzir o processo.
O primeiro passo é entender profundamente os padrões da acreditação escolhida, indo além dos checklists. A preparação deve priorizar processos críticos para o paciente e evitar a criação de documentos que existem apenas para cumprir requisito.
Algumas práticas ajudam nessa preparação:
- Estudar os padrões com foco na intenção, não só na exigência
- Começar pelos processos que mais impactam a segurança do paciente
- Envolver lideranças desde o início, e não apenas na véspera da avaliação
- Usar indicadores como ferramenta de aprendizado, não de cobrança
Também é importante evitar erros comuns, como tratar a acreditação como um projeto com data para acabar. Podemos citar, ainda, o erro de copiar modelos prontos sem adaptação ou “maquiar” processos apenas para a avaliação.
A preparação eficaz é aquela que fortalece a instituição independentemente da visita do avaliador.
Quer saber as conexões entre ONA e ISO 7101? Confira nesse episódio do Qualicast.
O papel da Qualidade na acreditação em saúde
A área da Qualidade tem um papel central na acreditação em saúde, mas não deve atuar como dona do sistema. Seu papel é:
- facilitar a compreensão dos requisitos
- apoiar as áreas na padronização de processos
- promover integração entre setores
- garantir o monitoramento dos indicadores
Quando a Qualidade atua como parceira do negócio e da assistência, a acreditação deixa de ser um fim em si mesma. Ela, portanto, passa a ser um meio para melhorar resultados, reduzir riscos e fortalecer a cultura de segurança.
Acreditação em saúde como ferramenta de transformação
A acreditação em saúde não é simples, rápida nem isenta de desafios.
Ainda assim, quando bem conduzida, ela se torna uma ferramenta de transformação institucional.
Mais do que atender a padrões, a acreditação ajuda a organizar processos, reduzir riscos, melhorar resultados e dar mais sentido ao trabalho da Qualidade. Se a sua instituição está pensando em iniciar ou amadurecer esse processo, o melhor momento para começar é agora, com consciência, método e foco na prática.
Como próximo passo, vale olhar para um processo crítico da sua instituição e se perguntar, de forma honesta, se ele atende aos princípios da acreditação em saúde.
Se a resposta não for clara, provavelmente aí está uma excelente oportunidade de melhoria.
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