CORONAVÍRUS: precisamos falar de home office na área da saúde

Publicado em 18 de março de 2020, por Paulo Eduardo de Andrade Souza

Imagem de um médico com seu notebook e segurando um vidro com um líquido dentro. Essa imagem é utilizada no artigo sobre home-office na área da saúde.

Momentos como este, em que a sociedade está enfrentando um novo tipo de vírus, o COVID-19 (com índice de letalidade substancial para determinadas faixas etárias e condições clínicas), exigem das empresas uma dose de maturidade e agilidade na tomada de decisão muito maior do que a usual. Nesse artigo, irei falar m pouco sobre como é possível home-office na área da saúde.

Qual o tamanho deste desafio para as instituições de saúde? 

Generalizando, instituições da área de saúde estão preparadas para falar constantemente sobre prevenção. Como exemplo, acompanho desde o início da minha carreira como gestor em qualidade diversos treinamentos sobre higienização das mãos e utilização de equipamentos de proteção individual. Porém, nunca “precisamos” falar sobre condições para que funcionários fizessem home office

Claro que para algumas atividades isso é impraticável. Um enfermeiro precisa estar junto ao paciente para prestar o cuidado; técnicos de laboratório precisam fazer a coleta de amostras para que os exames sejam processados, assim como precisam operar as máquinas do laboratório; entre outros exemplos. 

Ao mesmo tempo, para que estes profissionais estejam no front (sim, parece e é um termo de guerra), há uma infinidade de processos administrativos que podem ser realizados à distância. Diminuindo a frequência de exposição destes profissionais nas conduções, economizando recursos da empresa e diminuindo a probabilidade de contaminação por este novo vilão. 

Simples não é, mas é possível! 

Para isso acontecer é preciso maturidade! Por parte dos profissionais, que não estão habituados ao trabalho em casa; mas também da empresa e seus líderes. Afinal, cobrar o atingimento de metas, produção e qualidade das entregas à distância é diferente de fazê-los presencialmente. A comunicação precisa ser assertiva, os feedbacks constantes e claros, além de muita orientação e disciplina. 

No livro Work Together Anywere (Trabalho em equipe em qualquer lugar), Lisette Sutherland e Jenene-Nelson dão ótimas dicas sobre como se preparar e realizar o trabalho remoto em sua empresa. Diretora da Collaboration Superpowers (empresa que ajuda as pessoas a encontrar soluções para o trabalho remoto) escritora e palestrante, Lisette é uma entusiasta do trabalho remoto e explica em suas palestras quais são os desafios e paradigmas para o bom trabalho em equipe remoto.  

Para acelerar o aprendizado sobre este tema, recomendo a página delas no Linkedin – Collaboration Superpowers. Há também o canal do Mateus Rocha, do Papo Ágil #papoagil, que nesta semana publicou um breve “bate-papo” com a Lisette sobre este tema. 

Assim, para que essa realidade se torne possível, é necessário planejamento e alguma preparação. O que seria muito simples se já estivéssemos, nós gestores em saúde, amadurecido esta ideia. Como não o fizemos (com certeza existem exceções à essa minha generalização, perdoem-me aqueles gestores que já o fizeram e suas equipes estão preparadas para o trabalho em casa), precisaremos fazer com que isso se torne realidade em um curtíssimo espaço de tempo. 

Estou nesse grupo que corre atrás do prejuízo. Aqui, a equipe que gerencio está se preparando rapidamente para o trabalho em casa. Mas ainda não sabemos quais serão os resultados, como gerenciaremos nossos conflitos, como reagiremos a cada nova demanda. 

Como acelerar o home office na área da saúde

Vamos atuar para acelerar este processo? Existem breves perguntas que precisam ser respondidas para possibilitar o trabalho em casa:

  1. Qual a condição que sua empresa entrega aos colaboradores para que eles trabalhem de casa? (ex. Computadores, acessos à internet, segurança da informação). Recentemente acompanhei um trabalho de Yaniv Balmas, chefe de pesquisa cibernética da Check Point Software Technologies, empresa israelense de segurança digital. Neste trabalho ele cita que principalmente funcionários inseridos de forma recente no trabalho remoto são as principais portas de entrada para cyber ataques, por não seguirem corretamente as instruções de segurança ou mesmo por não utilizarem notebooks ou smartphones preparados e certificados para acessar sistemas e informações corporativas.
  2. Como será a comunicação entre os pares, seus líderes e liderados? (ex. Status Report antes feitos presencialmente serão realizados via call?)
  3. Existem políticas já definidas para controles de acessos aos sistemas corporativos? Os contratos com fornecedores de soluções corporativas (ex. Sistemas) preveem estes acessos? 

Grandes desafios trazem grandes aprendizados

Enfim, há uma série de protocolos e provisões a serem avaliadas, e tudo precisará ser feito em poucos dias, talvez horas, se a intenção da sua empresa seja a de prevenir a circulação desta nova ameaça à população e aos negócios em um curto espaço de tempo. 

Por outro lado, seremos abrigados a quebrar antigos paradigmas. Ou seja, pensar no home-office na área da saúde. Estaremos, assim que esse turbilhão diminuir, prontos a assumir que o trabalho remoto é algo positivo e que pode trazer ganhos enormes para a empresa (menores custos, maior flexibilidade, menos riscos), para os colaboradores (menos tempo de deslocamentos; mais tempo para a família, atividades físicas e estudos) e para a sociedade (menor concentração de pessoas no transporte público em horários de maior movimento, por exemplo).  

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