Protocolo de Notificação de Eventos Adversos

Publicado em 9 de outubro de 2019, por Ana Giovanoni

Foto de um médico preenchendo um Protocolo de Notificação de Eventos Adversos.

Nos serviços de saúde, a notificação de eventos adversos é essencial para a segurança do cliente e principalmente para o desenvolvimento e internalização da cultura de gerenciamento da qualidade . Afinal, a notificação é uma forma de medir as coisas e como menciona Joseph Juran:

Quem não mede não gerencia. Quem não gerencia, não melhora!

Na gestão da saúde, precisamos internalizar este conceito, pois se não conhecermos os principais eventos adversos ocorridos nas Organizações Prestadoras de Serviços de Saúde (OPSS), dificilmente teremos condições de aperfeiçoar o sistema gerencial em prol da redução destes incidentes que resultam em dano à saúde dos clientes.

O que é o Protocolo de Notificação de Eventos Adversos?

Um protocolo é um documento do sistema de gestão da qualidade que orienta a adoção de boas práticas assistenciais. Este documento contém a descrição do padrão de execução de uma determinada atividade.

No caso do Protocolo de Notificação de Eventos Adversos, o documento descreve a forma como os registros devem ser realizados, assegurando a mensuração dos eventos ocorridos e permitindo a análise sistemática das principais ocorrências e causas, visando, é claro, à redução desses eventos e respectiva ampliação da segurança do cliente.

A sistematização desta prática passa pela elaboração do documento e aprovação pela área responsável. Após aprovação, o documento precisa ser disseminado para todos os envolvidos e internalizado nas atividades de rotina da organização. Esta internalização só ocorre com o compromisso das lideranças das diversas áreas, demonstrando e valorizando os registros documentados.  

Principais informações que um Protocolo de Notificação de Eventos Adversos deve conter

De modo geral, na descrição do padrão do protocolo, os itens mais comuns que devem constar são:

  • objetivo;
  • abrangência;
  • procedimento/descrição da atividade;
  • critérios de inclusão e exclusão;
  • fluxograma (opcional);
  • monitorização/gerenciamento;
  • referências;
  • glossário;
  • e anexos (se necessário).

Outro fator importante é criar um formulário para registro das notificações, o qual é referenciado no Protocolo de Notificação de Eventos Adversos e deverá conter, conforme referenciado pela OMS, no mínimo as seguintes informações:

  • informações sobre o paciente (idade e sexo);
  • momento do incidente;
  • local do incidente;
  • agentes envolvidos (causas ou suspeitas; fatores contribuintes; fatores mitigantes);
  • tipo de incidente;
  • resultados do incidente;
  • ações resultantes;
  • papel do notificador.

Basta colocar essas informações em um formulário, mais ou menos assim:

Exemplo do Formulário para Registro das Notificações que precisa ser referenciado no Protocolo de Notificação de Eventos Adversos.

Formulário para Registro das Notificações referenciado no Protocolo de Notificação de Eventos Adversos

A importância das lideranças para notificação dos eventos adversos

O cumprimento do Protocolo de Notificação de Eventos Adversos é essencial para o gerenciamento destes incidentes nos estabelecimentos prestadores de serviços de saúde, bem como para a Anvisa, por meio do registro no Notivisa.

O registro dos eventos adversos no sistema informatizado da Anvisa (Notivisa) é um atributo de qualidade divulgado no Guia Médico das Operadoras de Planos de Saúde para que a população possa escolher serviços comprometidos com a qualidade e segurança do cliente. Este registro é requisito legal para hospitais e atributo de qualidade recomendável para todos os serviços de saúde.

Ps: eu, particularmente, sempre que preciso utilizar um serviço de saúde, independente de ser um laboratório, clínica de imagem, clínica de fisioterapia ou hospital, sempre pesquiso no site da minha operadora de plano de saúde para selecionar o serviço que possua maior número de atributos de qualidade atendidos.

Neste contexto, o líder é o responsável por incentivar, acompanhar, controlar e gerenciar os registros dos incidentes nos estabelecimentos de saúde, demonstrando para sua equipe a importância de mantermos o histórico dos indicadores de eventos adversos atualizados.

Além disto, é essencial analisar criticamente os resultados destes registros, pelo menos uma vez por mês, a fim de identificar causas e propor ações corretivas e preventivas para a minimização destes eventos. 

Como desenvolver uma cultura de segurança do cliente e a notificação de eventos adversos

Ao longo da minha trajetória de mais de 20 anos atuando com consultoria para transformação da gestão em serviços de saúde, identifiquei, de forma empírica, três fatores relevantes para o cumprimento dos protocolos de notificação de eventos adversos. São eles:

  • Ter uma liderança que assume o registro, notificação e tratamento dos eventos adversos como ponto fundamental para a qualidade e segurança assistencial; 
  • Garantir que o programa de educação continuada contemple o desenvolvimento da cultura de registro e da melhoria contínua como fator crítico de sucesso para o negócio e com abrangência para toda a força de trabalho; 
  • Ter uma política de consequências bem definida, disseminada e cumprida por todos e que faz parte da avaliação de desempenho e do reconhecimento dos profissionais em todos os níveis hierárquicos.

Em um ambiente complexo e de elevada competição como o segmento de saúde, no qual a experiência do cliente é alvo constante de publicações e tema central de vários eventos, implantar o Protocolo de Notificação de Eventos Adversos é fazer o básico. Aquilo que é óbvio numa organização que presta serviços de saúde com qualidade e segurança.

Assim, proponho um desafio a cada profissional da área de saúde que concorda com a relevância deste tema para nos engajarmos na propagação deste assunto: vamos mobilizar mais organizações a implantarem o Protocolo de Notificação de Eventos Adversos e efetuarem o registro no Notivisa, pois só assim vamos contribuir com a melhoria contínua da qualidade assistencial aos clientes. E para isso, é claro, comecemos por nossas próprias organizações!

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