O que podemos aprender com a Indústria de Alimentos na área de Saúde?

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Juliana Geremias

Juliana Geremias

A área de saúde é repleta de peculiaridades, o que faz com que sua gestão seja sempre um grande desafio. Falei sobre isso no meu último artigo aqui no blog, quando escrevi para vocês sobre a Gestão Estratégica da Área de Saúde. Já no artigo de hoje, falarei sobre o que podemos aprender com a indústria de alimentos na área de Saúde!

Desafios na área da Saúde

Estes desafios são originados por muitos fatores, mas entre eles estão:

  • O fato de “vendermos” um serviço que não é desejado pelo consumidor;
  • Exigir investimentos vultosos em equipamentos;
  • Exigir profissionais especializados;
  • Insumos que exigem maneiras adequadas e específicas de armazenamento;
  • Várias classes profissionais que precisam trabalhar em equipe sempre e em cadência para que o desfecho para o paciente seja sempre o melhor possível.
consultor Parceiro

Além de muitos outros pontos que fazem com que a gestão destes processos precise de atenção constante.

Mas, se fizermos um paralelo com a indústria de alimentos, percebemos que existem alguns pontos comuns que nos ajudam a refletir na gestão do cuidado (gosto de me referir à administração na área de saúde como “gestão do cuidado”).

Ao pesquisar sobre a área de alimentos, percebe-se claramente que todos os colaboradores acabam sendo treinados para cuidar. Isso mesmo… cuidar.

Mas não do paciente, e sim do produto. Todas as etapas de preparação de um determinado produto que será disponibilizado para venda, precisam de atenção específica.

Seja na escolha correta da matéria prima, no tipo de embalagem que será utilizada, na manutenção do maquinário (quando este é fundamental), distribuição correta de forma que mantenha os custos adequados ou até mesmo no marketing para a venda final.

Certo, mas no que essa reflexão nos leva? A gestão do cuidado, assim como a gestão da produção em uma indústria de alimentos precisa do direcionamento de todas as equipes e profissionais para o “produto final”.

No caso da área de saúde, nosso produto é o paciente saindo do serviço com o seu problema de saúde resolvido, ou melhor do que entrou.

Paralelamente na indústria de alimentos (não na área de Saúde), o produto embalado, com suas qualidades preservadas e chegando à gondola do supermercado a tempo de e ser vendido, transportado e consumido dentro de sua data de validade.

Gerenciar pessoas, o maior de todos os desafios

Fazer com que todos os colaboradores tenham esta mesma visão é o Santo Graal da gestão. Entender de pessoas é primordial para qualquer gestor, seja ele diretor de uma empresa de telecomunicações, supervisor de uma equipe de call center, mestre de uma obra ou até mesmo o dono de uma micro empresa de serviços domésticos.

Isso mostra que, independentemente do tamanho ou natureza do negócio, fazer com que pessoas de formações diferentes, criações diferentes, credos e direcionamentos políticos diferentes reconheçam nos valores da empresa, seus próprios valores. Fazendo, portanto, o que for necessário para colocar em primeiro plano tal “produto final”.

Voltando ao nosso exemplo para comparação, não adianta nada investir milhões de dólares em um maquinário que embala toda a produção em apenas uma hora, se o colaborador que opera essa máquina não acreditar que seu trabalho é fundamental para que o produto embalado seja entregue à empresa transportadora.

Se ao invés disso, ele deixar para ligar a máquina depois que toda a produção do dia estiver pronta, transporte aguardando e produtos fora de condições ideais para armazenamento, o resultado será: por conta de uma hora de atraso aumentamos o custo e corremos o risco de perder produtos já acabados.

Paralelamente ao nosso exemplo, seria o mesmo que um médico cirurgião que deixou para entrar na sala cirúrgica no último minuto e não investiu o tempo precioso e necessário na higienização das mãos.

Um simples deslize como esse pode acarretar uma infecção pós cirúrgica ao paciente, mais dias de internação, mais recursos gastos com medicamentos, cuidados e horas de profissionais de saúde, além de claramente o desconforto ao paciente.

Grandes poderes trazem consigo grandes responsabilidades

Continuando nesta trajetória de exemplos e paralelos, quando falamos de indústria de alimentos não precisamos nos referir a fábricas, podemos incluir nisso um pequeno sítio no interior, que produz leite com apenas uma vaquinha.

Se o produtor que acaba fazendo desse produto sua principal fonte de renda não estiver totalmente investido de clareza quanto a qualidade deste produto, pode levar ao consumidor final uma doença importante.

Por isso o título traz a reflexão sobre a responsabilidade. Assim como em um pequeno consultório odontológico, uma pequena falha na esterilização de um equipamento pode levar a um resultado desastroso ao paciente.

Voltando às indústrias, falhas em processos levaram a resultados muito indesejados em uma indústria de bebidas em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte.

Por conta de um vazamento em um tanque, a cerveja produzida foi contaminada com líquido de refrigeração (dietilenoglicol e monoetilenoglicol), resultando em vários consumidores desenvolvendo síndromes nefro neurais e, inclusive, levando pessoas a morte.

Como resultado, gestores indiciados e colaboradores prestando contas à polícia por erros (que pareciam pequenos) em processos.

Este, sem análises mais aprofundadas, é o pior desfecho possível de pequenas falhas em processos que carregam consigo enormes responsabilidades, como as indústrias de alimentos e a área de saúde.

Treinar, acompanhar, corrigir e treinar novamente

Infelizmente não há fórmula mágica para evitar situações indesejadas em processos que requerem tanta atenção, um volume alto de pessoas, reações em cadeia e processos interligados.

A única forma de fazer com que todos os produtos tenham a qualidade esperada é implementar processos de controle, associados a processos de treinamento, medição de resultados e melhoria contínua. 

Ou seja, implemente um processo de Gestão da Qualidade do seu processo. Mesmo que você seja um consultor independente ou faça pequenos reparos na casa de clientes com sua micro empresa. Tenha clareza de qual é o seu produto, quais os aspectos críticos do seu processo, qual a qualidade esperada e tenha formas de medir se o resultado entregue está dentro dos requisitos que definiu.

Algo está diferente do que você definiu? Encontre formas de melhorar o processo, acompanhe todas as etapas (in loco), corrija o que precisar, garanta que as correções tenham o efeito esperado e… comece tudo novamente.

Este é um exemplo simples e prático de implementação do PDCA. Caso não conheça bem essa ferramenta, leia aqui. Vamos falar um pouco mais sobre o PDCA e suas aplicações na área de saúde em um próximo artigo.

A chave para que um processo de gestão da qualidade tenha efeitos importantes é o treinamento constante e coerente aos propósitos da empresa.

Revisado em: 18/04/2022.

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