O que é preciso para transformar a gestão em saúde?

Publicado em 4 de março de 2020, por Ana Giovanoni

imagem com um notebook e um estetoscópio em cima com um médico atras. Essa imagem simboliza o artigo sobre transformar a gestão em saúde

O envelhecimento populacional, as mudanças demográficas e epidemiológicas, o aumento dos custos assistenciais e a complexidade do cenário político-econômico fazem com que o desenvolvimento de ações para transformar a Gestão na Saúde torne-se estratégico. Somente assim é possível conseguir sustentabilidade econômica no setor.

Tenho estudado muito este tema, analisando cenários e tendências, as crescentes exigências regulatórias na saúde suplementar e a realidade das operadoras de planos de saúde e seus prestadores de serviços de saúde.

Todos os Stakeholders envolvidos na cadeia da saúde populacional possuem desafios imensos para permanecerem no mercado de forma sustentável. Por isso, é essencial estar sempre atento às mudanças do mercado e às melhores práticas de gestão aplicadas ao segmento da saúde. 

A ANÁLISE DE PARETO E A SAÚDE POPULACIONAL

Se realizarmos uma análise de Pareto, identificamos duas principais causas de enfermidades organizacionais: os hábitos e o ambiente. Por isto, transformar a gestão da saúde vai além da gestão interna das organizações, estendendo-se à mudança cultural da população, envolvendo internalização de novos hábitos por meio do desenvolvimento de Programas de Prevenção e Promoção da Saúde, bem como assegurando acesso à assistência de qualidade que priorize o desfecho e resolutividade para o cliente. 

Estudos demonstram que os hábitos representam 50% de responsabilidade na manutenção da Saúde. Outros 20 % são atribuídos à genética. 20 % ao ambiente. Dessa forma, somente 10 % dos problemas de saúde estão relacionados às condições de acesso à assistência à Saúde. Portanto, atuar nos atributos que representam 70% das causas de enfermidade relativos aos hábitos e ambiente representa importante contribuição para a manutenção da saúde e prevenção de doenças.

Além disso, se avançarmos nos estudos epidemiológicos da população, identificamos que boa parte dela sofre com problemas mentais, como depressão, ansiedade e distúrbios relacionados à saúde mental. Um item que há poucos anos atrás nem era avaliado e que, atualmente, aparece como uma das principais causas das doenças ocupacionais.

Assim, chegamos à conclusão de que o maior desafio da gestão em saúde é o engajamento da população para participação efetiva nos programas de prevenção e promoção da saúde. 

MAS E O CUIDADO CENTRADO NO CLIENTE?

Em sua essência, a Atenção Primária à Saúde (APS) cuida das pessoas ao invés de apenas tratar doenças ou condições específicas. Esse setor (que oferta atendimento abrangente, acessível e baseado na comunidade) pode atender de 80% a 90% das necessidades de saúde de um indivíduo ao longo de sua vida. Isso inclui um espectro de serviços que vão desde a promoção da saúde e prevenção até o controle de doenças crônicas e cuidados paliativos. 

A APS predispõe, em sua essência, o “cuidado da pessoa” no seu contexto familiar, com a identificação de suas ideias e emoções a respeito do adoecer e a resposta a elas. Ela busca relacionar e identificar objetivos comuns entre profissionais de saúde e clientes sobre a doença e sua abordagem, sempre com o compartilhamento de decisões e responsabilidades.

Assim, o atendimento centrado no cliente deve orientar todos os aspectos do planejamento, prestação e avaliação dos serviços de saúde e é neste contexto que acreditamos na necessidade de transformação da gestão na saúde.

Quando o cliente está no centro e todas as ações da equipe multidisciplinar estão voltadas a resolver de forma efetiva o problema do cliente, sem desperdício de recursos e com qualidade assistencial, na maioria das vezes, o tratamento é mais barato e o cliente fica satisfeito pelo desfecho adequado – isto é saúde com base em valor!

O QUE ESTÁ POR TRÁS DA CRENÇA DE TRANSFORMAR A GESTÃO?

Acredito na transformação da gestão como o maior desafio dos estabelecimentos prestadores de serviços de saúde, pois é preciso ter coragem para aprender, desaprender e reaprender a fazer diferente, a aprofundar o conhecimento nas necessidades dos clientes e demais partes interessadas e, por fim, atuar de forma integrada em prol da saúde do cliente.

É preciso gerenciar os negócios da saúde e influenciar os clientes a mudarem seus hábitos para desfrutar de mais saúde e qualidade de vida. Então, por favor, deixe seu comentário sobre este desafio e compartilhe suas crenças sobre a transformação da gestão na saúde.

Se você, leitor, também considera desafiador transformar a gestão na saúde, quero te fazer um convite muito especial: no próximo dia 29 de abril, estaremos promovendo no Hotel Deville em Porto Alegre, o V Seminário de Transformação da Gestão em Saúde.

Será um dia inteiro de muito compartilhamento, aprendizado e troca de experiências com os melhores profissionais do país. Nos desafiamos a trazer muito conteúdo técnico, inovação e empreendedorismo para compartilhar com todos que buscam seu aperfeiçoamento contínuo. Te espero lá, clique no botão abaixo para se inscrever:

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