Já ouviram falar em Segunda Vítima?

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Catia Albuquerque

Catia Albuquerque

O termo “segunda vítima” refere-se ao profissional de saúde que apresenta um quadro de sofrimento emocional decorrente de um evento ou um erro grave relacionado a segurança do paciente.

Evitar erros é a principal meta de todos os profissionais com foco na segurança do paciente e na qualidade da assistência. No entanto, eventos adversos acontecem, pois há trabalho humano envolvido.  Os eventos podem causar desde danos leves reversíveis até danos graves ao paciente ou até mesmo óbito e, nesse caso, o paciente é a “primeira vítima”.  

No entanto, as vítimas de eventos adversos vão muito além. Quando eles ocorrem, há um efeito indireto nos profissionais de saúde, considerados as “segundas vítimas”.

A origem do termo “segunda vítima”

O termo “segunda vítima” foi usado, em 2000, por Albert Wu, professor de política e gestão em saúde na Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, para descrever o impacto dos eventos adversos nos profissionais de saúde.

Alguns sintomas vividos por eles foram descritos na literatura e incluem manifestações de cunhos psicológico (vergonha, culpa, ansiedade, tristeza e depressão) e cognitivo (insatisfação, desgaste e estresse traumático secundário), além de reações físicas. Afinal ninguém sai de casa para provocar um evento adverso! O profissional da saúde é comprometido e conhece sua responsabilidade perante o paciente e quando o evento adverso acontece, o profissional é atingido de forma indireta e imediatamente.

Estudos sobre eventos que atingem o paciente descrevem como as principais causas: a fragilidade estrutural no ambiente de trabalho, materiais e equipamentos inadequados ou sem qualidade, dimensionamento insuficiente de pessoal, sobrecarga de trabalho, falta de treinamentos e educação contínua, falhas de processo e principalmente a ausência de comunicação macro e efetiva.

O suporte organizacional é importantíssimo para reconhecer até que ponto o fenômeno da “segunda vítima” afetou estes profissionais, psicologicamente, fisicamente e profissionalmente. 

A importância dos processos na área da saúde em casos de segunda vítima

A instituição de saúde madura e que entende sua responsabilidade tanto com a primeira como com a segunda vítima, normalmente trabalha com planejamento estratégico, reuniões de resultados com a alta gestão, ferramentas para informações precisas e alinhadas, papéis e responsabilidades definidas, sigilo e confidencialidade, desenvolvimento e capacitação dos profissionais e diretrizes com embasamentos científicos e boas práticas.

Reconhecer e tratar os impactos aliviam as consequências ainda maiores para a sustentabilidade das instituições bem como da comunidade usuária da saúde e mitiga as consequências em relação às “terceiras vítimas”.

Quem são as “terceiras vítimas”?

São as vítimas invisíveis, ou seja, profissionais que trabalham com segurança do paciente, equipes de qualidade e gerenciamento de risco, profissionais que trabalham em processos de apoio e no momento que acontece o evento, têm a sensação de que todos os norteamentos, rotinas, fluxos implantados foram em vão.

Há um desgaste por empatia à família do paciente, há a frustação por fazerem parte do staff da instituição e há a pressão por muitas vezes se sentirem culpados, não receberem o apoio da alta gestão ou a média liderança não acreditar mais em seus projetos de melhorias contínuas.

Conclusão

Portanto, o que vemos é um cenário em que a cultura da instituição norteará o tratamento que será dado às “segundas vítimas”. 

Se falarmos de uma instituição que busca fortalecer valores que refletem acolhimento, redução do preconceito e apoio organizacional, certamente estarão mais bem preparadas para conduzir situações de eventos adversos e o devido tratamento às “segundas vítimas”.  

Nesse contexto, o papel do líder é de extrema importância para afastar ou repugnar comportamentos que não condizem com a cultura da instituição, a começar por ele mesmo!

REFERÊNCIA

 A Comissão Conjunta, Divisão de Melhoria da Saúde. Apoiar segundas vítimas [Internet]. Segurança Rápida; 2018 [citado em 15 de dezembro de 2019]. 

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Revisado em: 03/05/2022.

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