Qualidade na segurança do paciente, como melhorar?

Qualidade na segurança do paciente, como melhorar?

Aqui na Forlogic, estamos realizando um evento chamado Calendário da Gestão. Durante um período de 2 meses iremos nos aprofundar no tema Gestão de Riscos internamente. E nesse tempo iremos nos capacitar sobre o assunto, revisar documentos, revisar riscos identificados, propor e executar ações de melhoria para esse processo. E a cada ciclo do Calendário da Gestão trabalhamos um tema diferente. “Mas por que estou dizendo isso?” Porque no mês de setembro comemora-se o Dia Mundial de Segurança do Paciente. E não temos como falar de qualidade na segurança do paciente sem relacionar com o tema Gestão de riscos.

Marcos importantes para a Segurança do Paciente

Em 1999, nos Estados Unidos começaram a falar sobre eventos adversos relacionados às práticas assistenciais e que afetavam o paciente. Houve uma enxurrada de informações sobre o volume de pacientes que morriam devido a falhas no processo do “cuidar”. Foi aí que o mundo começou a direcionar os olhares para esse assunto.

Em 2001, a OMS (Organização Mundial da Saúde) trouxe o conceito de cuidado seguro:

É aquele cuidado prestado ao paciente com a intenção de alcançar resultados favoráveis evitando causar lesões provocadas pelo próprio processo de cuidar.

Também trouxe o conceito de Segurança do Paciente:

É a redução ao mínimo aceitável do dano desnecessário relacionado ao cuidado da saúde.

No Brasil, em 2013 passaram a vigorar 2 legislações que institui ações de Segurança do Paciente e gerenciamento de riscos, que são a RDC 36 da ANVISA e a Portaria 529/13.

Vejam por alguns termos dos conceitos aqui trazidos que a prevenção está sendo pensada e explicitada em cada um deles: “evitando causar”, “redução ao mínimo aceitável”.

Portanto, fica claro que a  qualidade na segurança do paciente resultará de um processo estruturado e sistêmico de gestão de riscos dentro das instituições de saúde, sejam públicas ou privadas.

Identificar x Analisar x Avaliar riscos

A RDC 36 traz o conceito de gestão de riscos no âmbito da saúde:

É a aplicação sistêmica e contínua de políticas, procedimentos, condutas e recursos na identificação, análise, avaliação, comunicação e controle de riscos e eventos adversos que afetam a segurança, a saúde humana, a integridade profissional, o meio ambiente e a imagem institucional.

A gestão de riscos envolve atividades de identificar, analisar e avaliar riscos.

Identificação de riscos

Para identificar um risco ao negócio, aos objetivos organizacionais ou riscos dos processos, é importante que os critérios de identificação de risco estejam bem claros para toda a instituição. Ou seja, o que será considerado como risco dentro da sua organização. Por exemplo: o que pode afetar a imagem da instituição? O que pode causar danos físicos ao paciente? O que pode dificultar atingir os objetivos estratégicos? E financeiros? O que pode afetar a qualidade na segurança do paciente e dos colaboradores?

Esta etapa, você pode começar olhando para a lista das 6 Metas de Segurança ao Paciente recomendada pela certificadora Join Commission International (JCI) e reconhecida internacionalmente. São elas:

  1. Identificar corretamente o paciente
  2. Melhorar a comunicação entre profissionais da saúde
  3. Melhorar a segurança na prescrição, no uso e na administração de medicamentos
  4. Assegurar cirurgia em local de intervenção, procedimento e pacientes corretos
  5. Higienizar as mãos para evitar infecções
  6. Reduzir o risco de queda e úlceras por pressão

Outro ponto importante na etapa de identificação do risco é verificar quais as áreas ou processos serão impactados caso o risco ocorra. Isso facilitará na definição de ações para tratar o risco com abrangência para riscos de outras áreas.

Análise de riscos

Durante a etapa de análise do risco, será identificado qual o nível do risco. Ou seja, baseado numa análise das causas e consequências, você determinará qual a probabilidade de o risco ocorrer e o nível do impacto caso o risco ocorra. E para isso, podem ser utilizadas ferramentas, como Matriz de Riscos e FMEA (Análise de Modo e Falhas de Efeitos)

A norma ISO/IEC 31010 traz outras ferramentas para realizar a gestão de riscos na sua empresa, e podem ser escolhidas conforme a complexidade dos seus processos, capacitação dos colaboradores para esta atividade, quantidade de processos operacionais entre outros fatores.

Avaliação de risco

Já, a fase de avaliação do risco dará suporte para a próxima fase de tratamento do risco. 

Na avaliação do risco você determinará qual esforço será aplicado ao risco conforme seu grau de criticidade para a instituição, considerando o resultado do cruzamento entre as análises de probabilidade e impacto.

Não basta ter um processo de gestão de riscos bem definido!

Sim, o processo de gestão de riscos será fadado a não gerar resultados mesmo se ele estiver muito bem estruturado, se não houver pessoas à frente com autoridade, responsabilidade e poder para disseminação da cultura de gestão de riscos e executar as ações previstas para garantir a qualidade na segurança do paciente.

Alguns fatores são fundamentais para auxiliar na disseminação da cultura da gestão de riscos no cuidado ao paciente, tais como:

    • Utilizar indicadores de desempenho que que direcionem o olhar para problemas-chave. Por exemplo: risco de queda, lesão por pressão, identificação do paciente, taxa de mortalidade.
  • Criar um Comitê de Gestão de Riscos multidisciplinar com profissionais qualificados composto por representantes das áreas: Segurança do trabalho, Comissão de controle e prevenção de infecções, Engenharia Predial e manutenção, Comissão interna de prevenção de acidentes, corpo de médicos e enfermeiros e Gestão da Qualidade.
  • Promover a conscientização dos colaboradores para registrar eventos adversos ocorridos para que façam parte dos estudos, estatísticas e planos de ação.

Conclusão

O conceito de mentalidade de risco trazido na norma ISSO 9001:2015 é essencial nos cuidados aos pacientes.

A mentalidade de risco começa quando você tem certeza de que você vai errar (Isso mesmo! Você vai errar!). 

Porque se você pensar assim, elevará o seu processo a um patamar de alerta. Quando estamos propensos a pensar que somos infalíveis porque “temos conhecimento” sobre algo, acabamos negligenciando potenciais eventos adversos, com isso não damos a devida atenção ao processo ou atividade, gerando dano ao paciente, como um círculo vicioso.

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Vanessa Prado

Advogada, Pós graduada em Marketing de Serviços , Gestora da Qualidade, Auditora interna ISO 9001:2015 e Produtora de conteúdo para o Blog da Qualidade. Além de apaixonada por Processos!! Fazer com que a Qualidade seja percebida como essencial para toda empresa é um desafio. Resistência, crenças limitantes e o cansaço da jornada nunca me desmotivaram. Por amor à Gestão da Qualidade, sigo nesse caminho sem fim!

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