Estruturação e condução do projeto de Acreditação – Série: Caminhos para Acreditação ONA (6 de 6)

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Glauber Sena Ceolin

Glauber Sena Ceolin

Primeiramente, fala galera da Qualidade! Tudo bem com vocês? No sexto e último artigo da série de Acreditação ONA, falarei a respeito das ações de Estruturação e condução do projeto de Acreditação, que inclui um planejamento macro das atividades, etapas, prazos e responsáveis.

Em meu artigo mais recente, falei sobre a necessidade de planejar e implementar ações para a Comunicação com os stakeholders.  Para ler ou relembrar, basta clicar aqui e conferir.

Essa estruturação facilita ordenar os passos, acompanhar a evolução e o desempenho. A seguir abordaremos sobre os pontos importantes que as organizações podem considerar nos projetos de Acreditação. Boa leitura!

Projeto ou processo de Acreditação?

Ambos. Qual vem primeiro? Por onde eu começo? Fica por aqui que vamos esclarecer.

Sobretudo, existem diferenças conceituais e práticas entre projeto e processo de Acreditação. Em olhar genérico, o projeto é algo de caráter provisório, com prazo determinado e gera como resultado um conjunto de diretrizes, rotinas e práticas aplicáveis a uma OPSS – Organização Prestadora de Serviço de Saúde para que a partir de sua execução seja implementado, mantido e melhorado o processo de Acreditação.

O processo possui em sua estrutura as rotinas, frequências, critérios e representa algo contínuo. A partir daqui, explanaremos essas diferenças com maior detalhamento.

Por mais comum que seja ouvirmos e falarmos o termo “projeto”, percebo que alguns profissionais não possuem a compreensão real sobre o significado.

Segundo o Instituto de Gerenciamento de Projetos (Project Management Institute – PMI), uma das maiores associações de profissionais de gerenciamento de projetos do mundo, projeto “é um conjunto de atividades temporárias, realizadas por um grupo de pessoas, destinadas a produzir um produto, um serviço ou resultados únicos”.

Em outras palavras, um projeto possui prazo, data para início e término. Possui duração determinada. O marco inicial consiste na decisão e planejamento das ações para a implantação da Acreditação ONA e é concluído na fase de aprovação e obtenção do certificado (conquista da acreditação).

A implementação da metodologia do Manual Brasileiro de Acreditação ONA OPSS 2022 pode ser conduzida como um projeto, pois:

  • Necessita do apoio de um grupo de pessoas (profissionais de todos os níveis hierárquicos) para planejar, executar, gerenciar e responder as ações propostas;
  • Possui um prazo determinado, sendo um marco inicial e um marco final;
  • É destinado a consolidar um resultado: a obtenção da Acreditação e principalmente o desenvolvimento de ações para promover a cultura de gestão da qualidade e segurança do paciente.

Entretanto,  o que também deve ser considerado é que a partir da implementação da metodologia, dos requisitos e padrões para a obtenção da Acreditação, a instituição precisará sustentar um processo de gestão da qualidade e segurança do paciente.

Este processo possui um ciclo continuo, com duração indeterminada e características bem delineadas. A definição mais utilizada para conceituar o termo processo está representada na ISO 9000:2015: “Processo é um conjunto de atividades inter-relacionadas ou interativas que utilizam entradas para entregar um resultado pretendido”.

A partir da entrega do projeto de acreditação os requisitos, padrões e rotinas estabelecidas deverão ser mantidas, gerenciadas e melhoradas.

Costumo dizer que a manutenção dos padrões pode ser mais desafiadora do que a fase de implantação. Essa percepção se explica pela dependência que os processos possuem em relação a adesão e performance das pessoas. Os padrões são evidenciados e sustentados através das práticas e rotinas seguidas em cada unidade.

Como elaborar o projeto de Acreditação

O projeto de acreditação deve ser elaborado e documentado contendo minimamente todas as etapas de implantação da metodologia que possuem impacto sistêmico e afetam os processos da organização. Deve ser feito pelo responsável da gestão da qualidade e validado com a Diretoria/Liderança.

Então, deve ter data de início e término. Em seu desdobramento pode ordenar e especificar prazos e responsáveis em cada fase, objetivo do projeto, riscos, etc.

De forma macro podemos relacionar minimamente:

  • Realizar um diagnóstico organizacional identificando o nível de maturidade dos processos, as não conformidades e oportunidades de melhoria
  • Definir os direcionadores (negócio, missão, visão, valores) e Planejamento Estratégico
  • Estruturar e implementar políticas (segundo exigências da subseção Liderança)
  • Constituir e acompanhar comissões
  • Implantar a Gestão por processos (mapeamento e acordos de nível de serviço)
  • Implantar a Gestão de Documentos
  • Definir perfil epidemiológico, perfil assistencial
  • Elaborar, implantar e gerenciar protocolos
  • Implantar Governança Clínica, Gestão de Resultados (indicadores), Gestão por Não Conformidades e IEA’s e de riscos corporativa
  • Inserir as auditorias de processos (gestão da qualidade)
  • Implementar as auditorias clínicas (qualidade da assistência, segurança, desfechos clínicos)
  • Estruturar ou fortalecer o NSP aos moldes da metodologia ONA
  • Desdobrar todas as subseções e requisitos do manual ONA

Cada etapa desse projeto deverá ser conduzida incluindo:

  • A definição de sistemáticas/procedimentos institucionais contendo diretrizes, fluxos, critérios e responsabilidades
  • Validação e aprovação das lideranças
  • Assessoria com treinamentos necessários para capacitar os colaboradores nas ferramentas e métodos selecionados conforme realidade da organização
  • Acompanhamento da adesão e evolução dos processos/ áreas
  • Análises do cumprimento e eficácia das rotinas e dos projetos
  • Divulgação e comunicação de resultados

Também, é fundamental adotar uma postura de transparência em relação ao que a Organização espera de cada etapa do processo, das responsabilidades e papel de cada gestor. O alinhamento de expectativas dos envolvidos evita falhas na comunicação e possibilidade com que cada profissional contribua dentro de especialidade.

Acreditação não é receita de bolo!

Apesar do modelo de gestão da qualidade e segurança do paciente contido nos padrões da metodologia ONA é sempre importante ressaltar que um dos seus fundamentos é a “natureza não prescritiva”, ou seja, ele nos diz “o que deve existir” em uma Organização Prestadora de Serviço de Saúde, mas não determina o “como fazer”.

Cada instituição possui como desafio o desenvolvimento de sua cultura de qualidade e segurança, personalizando a implementação dos requisitos de acordo com as referências de literatura, os procedimentos, protocolos e ferramentas que avalia como mais adequadas ao seu contexto.

Em síntese, é isso meus amigos! A série “Caminhos para a Acreditação” encerra neste 6º artigo (posso ouvir daqui um: “aaaaaah…”), mas continua com você nos comentários. Me conta: você já participou de um planejamento e/ou projeto de acreditação? Faz sentido a organização do projeto que expliquei? Já utilizou estratégias não mencionadas aqui?

Também quero saber de você: O que gostaria de ler na sequência de artigos sobre Gestão da Qualidade em Saúde? Comenta aí.

Saudações, um grande abraço e até breve!

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