A centralização das informações na saúde e a segurança do paciente

Publicado em 9 de setembro de 2020, por Celina Salles

imagem de um computador no centro e vários aparelhos médicos ao seu redor. Essa imagem simboliza o artigo sobre centralização das informações na saúde.

As instituições de saúde são extremamente complexas no que se refere aos profissionais, tipos de clientes, processos e procedimentos administrativos. Por esse motivo, a centralização das informações na saúde e a definição das suas formas de comunicação, são um dos grandes obstáculos para garantir a eficácia dos resultados.

As instituições de saúde devem identificar os seus fluxos de valor, mapear os processos e elaborar documentos. Estes deverão estar padronizados e centralizados com todas as informações necessárias para garantir a qualidade, segurança e efetividade dos processos. Estas informações podem estar descritas de diversas formas como, por exemplo:

  • políticas institucionais;
  • protocolos clínicos;
  • procedimentos operacionais padrões (POP);
  • instruções normativas;
  • entre outros. 

Para compreender o quanto é importante a padronização e centralização das informações num ambiente tão complexo como o das instituições de saúde, seguem abaixo três vantagens que esta padronização gera nas instituições. 

Segurança do Paciente

Todos nós ao adentrarmos numa instituição de saúde temos o intuito de sairmos melhores do que entramos e não com sequelas diante de falhas no atendimento. 

Assim, a política de segurança do paciente seria um documento onde todas as diretrizes relacionadas ao mapeamento dos riscos institucionais estariam definidas com o intuito de mitigá-los. 

Riscos relacionados a queda, identificação incorreta do paciente, broncoaspiração, lesões de pele, administração incorreta do medicamento são exemplos de situações que podem ser evitadas diante de uma política de segurança bem estabelecida. 

Dentre as barreiras para mitigar esses riscos, podemos citar os protocolos e padrões onde estará descrito todo o passo a passo de como devemos executar as atividades para evitar o risco, como por exemplo o “Protocolo de Queda”.

Comunicação Alinhada

Não existe coisa pior do que precisarmos de uma informação para definirmos uma conduta clínica, o fechamento de uma conta médica, ou até mesmo em permitir o acesso de pacientes, acompanhantes, visitantes e funcionários na instituição e não sabermos onde localizá-las. 

Isso pode gerar um transtorno administrativo e clínico sem precedentes. Como por exemplo: entrada de meliantes na instituição, evasão de pacientes, contas faturadas fora do período impactando no fluxo de caixa, agravamento do quadro clínico do paciente por falta de registro das condutas, o que também interfere no tempo de giro do leito. 

Portanto, a política de comunicação da instituição vem com a necessidade de organizar todas as formas de como a instituição irá passar as informações obtidas. Sejam essas clínicas, administrativas ou até mesmo relacionadas ao planejamento estratégico da instituição. 

A comunicação pode ser feita através do prontuário, mural, passagem de plantão, sistemas informatizados, ou seja, dentro de uma forma mais viável e acessível a realidade institucional. E o mais importante é que seja de conhecimento de todos.

Atendimento de Excelência 

O atendimento com excelência engloba uma abordagem humanizada e técnica, onde todos os envolvidos estejam qualificados a fim de fazer o melhor para obter a excelência do resultado para o paciente e instituição. 

Imaginem uma unidade de saúde, como um hospital, onde existem vários departamentos como recepção, emergência, enfermarias, UTI, centro cirúrgico, laboratório, farmácia, portaria, engenharia clínica, banco de sangue e tantos outros. 

Onde cada um possui muitas atividades que devem ser alinhadas com o objetivo final da excelência do resultado. Imaginem que todos eles dependem um do outro, por exemplo, a recepção para liberar visitas precisa que a enfermagem atualize o mapa de pacientes. 

E o centro cirúrgico que precisa do anestesista, médico, enfermagem, setor de OPME, manutenção,CME, higienização, farmácia. MUITO COMPLEXO! Mas nada como processos bem mapeados, com informações padronizadas e centralizadas para conhecimento de todos, não possa ajudar. 

Por isso que elaboramos os protocolos de anestesia, transfusão de sangue e cirurgia segura. Além da realização dos padrões relacionados às atividades de conferência do carro de anestesia, dispensação de medicamentos, solicitação de OPME, rotinas de manutenção da estrutura física e dos equipamentos e tantos outros. 

Tudo isso é feito com o intuito de evitarmos que o paciente ao adentrar no centro cirúrgico não tenha sua cirurgia cancelada pois não foi providenciado o OPME correto, os equipamentos falharam no momento da cirurgia ou não faltem os medicamentos. Ou seja, que a cirurgia seja realizada com sucesso e a recuperação do paciente seja a melhor possível. Fazendo com que este tenha o melhor atendimento no serviço realizado. 

A centralização ajuda na garantia da segurança do paciente

Diante disso, precisamos antes de descrever, padronizar e centralizar as informações nas instituições, conhecer os processos dentro de uma visão sistêmica, envolver os colaboradores, avaliar qual a metodologia de comunicação mais adequada diante do perfil institucional e assim fazer com que a centralização da informação agregue valor aos resultados das instituições de saúde. 

E aí vai uma perguntinha para pensarmos: Uma instituição de saúde que tenha todo um sistema de informação descentralizado, sem participação dos envolvidos e acompanhamento dos seus resultados possui efetividade, qualidade e segurança?

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Comentários

2 Comments

  • Nivaldo Telles 9 de setembro de 2020 at 4:13 pm

    Muito bom o texto. Esse assunto é de grande importância para as instituições de saúde. Vemos muitos hospitais com gestão familiar que poderiam ter melhores resultados com processos de gestão adequados.

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  • Mariana 14 de setembro de 2020 at 10:25 am

    Adorei o texto!! Super direto e explicativo!! Arrasou! 💙

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