A importância da atuação da mulher na área da saúde
A atuação da mulher na área da saúde

A importância da atuação da mulher na área da saúde

Ao longo da história as mulheres conquistaram seu espaço na sociedade e no mercado de trabalho pelas suas habilidades e competências, principalmente em relação à forte característica de liderança e de gestão de pessoas. Por isso, hoje, eu decidi falar sobre a importância da atuação da mulher na área da saúde.

A evolução da mulher no mercado de trabalho

A conquista da mulher por um espaço no mercado de trabalho remonta ao início do século XIX, quando a sociedade acreditava ser o homem o único provedor das necessidades da família. À esposa cabia a função de manter o lar na mais perfeita ordem, além de educar seus filhos. As atividades realizadas por algumas mulheres como produzir doces por encomenda, arranjos de flores, bordados e dar aulas de piano eram mal vistas pela sociedade machista, dificultando a inserção da mulher no mercado de trabalho

A primeira conquista para a inserção digna das mulheres no mercado de trabalho foi na Constituição Federal de 1932, a qual, em seu artigo 121, proibiu a discriminação das mulheres quanto ao salário. De 1932 à 1988, as constituições federais que tratavam dos direitos das mulheres foram incluindo aspectos fundamentais para os seus direitos para sua evolução até o século XXI.

Conquistas como salário maternidade, licença maternidade, proibição do trabalho feminino em ambientes insalubres entre outros, culminaram na Constituição Federal de 1988. Essa constituição garantiu o direito à licença gestante por 120 dias, sem prejuízo do emprego ou salário e a proibição de diferenças de salários, estabelecimento de critérios de admissão e exercício da atividade em função do gênero e igualdade de direitos e obrigações entre homens e mulheres. Além dos aspectos constitucionais, a mulher, por sua coragem e dinamismo, foi conquistando seu espaço na sociedade e nos ambientes empresariais demonstrando sua competência e habilidade em gerir pessoas. 

Atualmente, temos muitos movimentos que unem as mulheres para discutir seu espaço na sociedade. Entre eles, podemos destacar o grupo Mulheres & Propósito da ABPRH (Associação Brasileira de Profissionais de Recursos Humanos) cujo objetivo principal é discutir a mulher em sua integralidade, como filha, mãe, esposa, amiga, empreendedora, executiva e/ou profissional liberal com o intuito de ampliar seu autoconhecimento e agir com harmonia e equilíbrio em todos os aspectos da vida. Já o grupo Mulheres do Brasil, tem como objetivo reunir mulheres com o propósito de engajar a sociedade em melhorias para o país. 

A liderança feminina

Os estudos sobre liderança demonstram que as mulheres possuem virtudes como sensibilidade, empatia, ousadia, alto grau de criatividade, versatilidade, percepção aguçada, flexibilidade, para mencionar apenas algumas que fazem a diferença no comando das organizações. Enquanto os homens escondem ou “afogam” algumas características para não parecerem frágeis, as mulheres utilizam suas habilidades para liderar equipes nos ambientes empresariais com sabedoria.

Nessa nova era, a matéria prima básica para os negócios é a imaginação humana, a criatividade, a inovação e as empresas que desejam sobreviver a esse novo cenário não podem mais se dar ao luxo de permanecerem com padrões ultrapassados nos quais somente homens ocupavam cargos de liderança. Neste momento, a presença feminina se enquadra perfeitamente, pois é necessário utilizar melhor a diversidade de talentos, a heterogeneidade de percepções e a humanização da gestão.

A pesquisa da Catho (2019) demonstra que a participação da mulher no mercado de trabalho em cargos de liderança está aumentando gradativamente a cada ano, ultrapassando 60% nos cargos de coordenação e, aos poucos, avançando em cargos executivos na presidência de empresas e em conselhos de administração.

Embora as mulheres tenham conquistado uma participação mais clara e expressiva no mercado de consumo e no trabalho, um estudo recente do Insper com a Talenses revelou que, no Brasil, apenas 13% das empresas têm CEOs mulheres. Este cenário se replica na saúde. Ainda que as mulheres representem 65% dos mais de seis milhões de profissionais da Saúde pública e privada, no âmbito de tomada de decisões o número de mulheres em cargos de gestão e liderança ainda é baixo.

A mulher na área da saúde

O relatório “Mulheres na gestão empresarial: argumentos para uma mudança”, da Organização Internacional do Trabalho (OIT, 2019), aplicado em 13 mil empresas de 70 países, identificou que, para mais de 75% das companhias entrevistadas, os resultados cresceram com mulheres em cargos de liderança.

Este mesmo relatório apontou que três entre quatro das empresas que monitoram a diversidade de gênero em posições diretivas, obtiveram aumento dos lucros entre 5% a 20%. A OIT informou ainda que, globalmente, em torno de seis a cada dez organizações privadas concordaram que a diversidade de gênero melhorou os negócios. Entre os ganhos citados pelos entrevistados estão criatividade, inovação e reputação.

A mulher tem uma capacidade de enxergar o diferente e, quando atua de forma colaborativa com os homens, traz uma riqueza para o sistema de saúde, especialmente pela sua sensibilidade, empatia e flexibilidade na gestão das pessoas impactando positivamente nos resultados do negócio.

Um estudo publicado na Revista Brasileira de Educação Médica (outubro de 2020), sobre saúde da mulher e educação médica concluiu que, para garantir a saúde integral da mulher, as escolas médias devem dar aos alunos oportunidades de aprender um conjunto de habilidades, para que, uma vez formados, possam: 

  • pautar sua conduta por evidências científicas;
  • ouvir as mulheres;
  • comunicar-se adequadamente com elas;
  • respeitar suas singularidades em cada etapa do ciclo ginecológico;
  • construir uma relação mais simétrica;
  • adotar uma visão ampla de suas condições de vida;  e 
  • dar à mulher maior controle sobre o próprio corpo, a saúde, sexualidade e vida.

A implementação de políticas que incentivem a diversidade nas escolas de medicina é fundamental para que este conceito seja internalizado nas organizações do segmento de saúde, tendo em vista que a maioria dos negócios nesta área são liderados por profissionais da área médica. Além disso, a inclusão, valorização e respeito às características das mulheres integrado à oportunidade das mesmas atuarem em cargos de liderança contribui com o avanço da implementação de boas práticas de gestão na saúde. 

A importância da mulher para a espiritualidade da gestão

O ser humano é, por natureza, um ser de sentido. Quer entender e explicar os mistérios que o envolvem: princípio, meio e fim último da existência. Almeja entender as razões de sua busca e tenta significar e ressignificar suas experiências. Tal característica lhe é inerente, mas não automática ou pré-definida. Dar e captar sentido para as experiências é uma capacidade humana e envolve o ser em sua totalidade: corpo, mente, coração e espírito. 

Este novo tempo, marcado por mudanças substanciais e rápidas, exige ações mais bem elaboradas e consistentes, coerentes, como caminho para a construção de novas relações em uma nova sociedade. Isto exige liderança transformadora! A liderança feminina é um valioso instrumento para lidar com as incertezas e volatilidade da sociedade neste novo tempo. A liderança tem um significado referencial para um mundo necessitado de ações integradas e que façam a diferença, de forma positiva. É nesse processo relacional, intersubjetivo que a liderança acontece e faz a diferença nas organizações.

A tarefa da liderança é, pois, a de orientar, compor sentido ou influenciar os sujeitos, em relação, como forma de melhorar as condições e os resultados do próprio grupo, num dado momento. Líderes capazes de desenvolver suas ações de liderança a partir de valores que pautam a prática, as relações e a própria existência geram um ambiente positivo onde atuam, impactando positivamente em pessoas e organizações. Mais do que isso, buscam e encontram sentido naquilo que fazem e ajudam os outros para que sejam capazes de encontrar significado e propósito naquilo que realizam. Por meio destas competências, facilmente identificadas nas mulheres, além de favorecer a manutenção dos talentos, nesse exercício de liderança estimulam a adesão aos projetos e promovem o companheirismo. Afinal de contas, manifestações sinceras de alegria de uma pessoa pelo sucesso de outra são um sinal de espiritualidade. 

A espiritualidade surge, portanto, como elemento integrador das relações e das ações, como amálgama das diferentes práticas. Espiritualidade é mais abrangente do que religião, e pode existir e se manifestar ainda que sem uma referência a aspectos religiosos, desta ou daquela denominação. Portanto, a espiritualidade na ação da liderança estabelece uma relação direta com a construção e gestão de significados. Uma organização com propósito, com clareza do legado que quer deixar para a sociedade exige a presença de líderes que valorizam a espiritualidade.

O cultivo da espiritualidade nessa perspectiva remete à possibilidade de lidar melhor com os permanentes desafios entre conviver com o materialismo e a quantificação versus a experiência de profundidade, gratuidade e do sublime. 

No mês que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, quero deixar meus cumprimentos a todas as mulheres mães de família, esposas dedicadas ao convívio familiar harmônico e àquelas mulheres que estão no mercado de trabalho, e tornam na sua atividade de rotina a vida das pessoas com quem convivem mais plena e espiritualizada. 

As mulheres têm um papel importante na sociedade ao longo da história e neste momento de pandemia, incertezas e tantas mudanças trará o equilíbrio para os lares e para as empresas. Implementar uma gestão mais espiritualizada, valorizando o propósito e incluindo as pessoas com diversidade de gênero, opção social, religião ou características próprias faz parte de um ambiente propício à inovação e sustentabilidade. As mulheres podem contribuir muito com esta mudança neste novo tempo para salvar vidas.

Se você é mulher e atua na área da saúde, faça seus comentários e complemente o meu pensamento para tornarmos nossa publicação mais completa. Se você não é mulher, também pode contribuir com seu contraponto complementando nosso raciocínio e valorizando os aspectos essenciais da convivência integrada e harmônica 

Aguardo seus comentários!!!!!

Ana Giovanoni

Sócia do Grupo Giovanoni, atua na área de Consultoria Organizacional, Especialista em Ressignificação do modelo de educação, capacitação e gestão para tornar as organizações sustentáveis. Com mais de 20 anos de experiência, atuou em empresas nacionais de diversos segmentos, tendo conhecimento em todos os processos de certificação de Sistemas de Gestão, além de coordenar o planejamento estratégico e estruturação do Modelo de Gestão de diversos clientes, em especial no segmento da Saúde. Consultora Certificada CMC – Certified Management Consultant. VP do IBCO – Instituto Brasileiro de Consultores de Organização. Filiada à Associação Brasileira de Profissionais de Recursos Humanos, além de ser uma das embaixadoras do Grupo Mulheres & Propósitos. Participou, como co-autora, na criação do livro Re-Inventar a Liderança: um desafio diário, além de artigos relacionados a temas técnicos diversos relacionados à Liderança, Gestão, Propósito e Transformação Organizacional. Bacharel em Nutrição, pós-graduada em Marketing, com MBA em Liderança e Gestão Organizacional com módulo em Negociações Avançadas na Harvard Business School e Mestrado em Engenharia da Produção, além de MBA em Filosofia e Auto Conhecimento. Casada, mãe de 3 filhos, Tiago, Kitti e Maitê, avó de 5 netos que são meus professores e me ensinam a viver intensamente e ser feliz (Sophia, Joaquín, Lucas, Théo e Arthur). Em breve chegará o Miguel. Acompanhe mais no Linkedin e Instagram

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